Observo-te minuciosamente: Os teus olhos, o olhar que me transmites, a cor da tua pele, os lábios que se movem levemente com o pronunciar das palavas. Os teus gestos são mais languidos. Não tens brilho. Perdeste a tua força vital que te faz sorrir e viver espontâneamente alegre. Justificas-te mecânicamente, com uma resposta que preparaste interiormente. Não me convences. Sem dúvida que não sabes porque te sentes assim melancólica, descontente com a vida, não estás preparada para a resposta que te surge quase de mancinho, mas que descoras com um pensamento fugaz e inconsciente.
Tinhas objectivos e desejos a alcançar fervorozamente, quando o teu olhar infantil sorria brilhante para o Mundo o qual amavas despreocupadamente. Para ti tudo era uma aventura divertida que partilhavas com quem querias, apenas com querias, de mãos dadas firmes e coração palpitante um brilho no olhar, aquele brilho que se transpulha para todo o teu EU e nos ajudava a seguir-te como uma estrela que nos guia para um lugar certo e seguro.
Hoje. Hoje observo-te. Procuro-te. Dentro de ti, dentro dos teus olhos, ao som das tuas palavras que oiço, mas não compreendo. Não te vejo completamente. Não te consigo seguir seguramente. O brilho que nos guia, aquela estrela, aquela que nos une e nos juntou desde sempre? Vamos procurar, com um rito de esperança, daquela esperança infantil que nos unia acima de tudo e nos juntou na conquista de tudo o que somos?
De mãos dadas... e firmes...

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